Com tanto espaço para um só batalhão cobrir, a proporção de profissionais de segurança por cidadão é assustadora: cerca de 200 PMs para mais de meio milhão de pessoas, sem contar folgas, afastamentos temporários e demandas administrativas, que reduzem ainda mais o efetivo. A pauta já é de ciência do Governo do Estado, mas, para avançar, depende da chegada de novos policiais concursados, prevista para este semestre.
Os dados sobre o batalhão são da Câmara Municipal de Paulista, que propôs o abaixo-assinado. Segundo o presidente da casa, vereador Fábio Barros, o ideal é que houvesse um policial para cada grupo de 496 habitantes, conforme proposição da Organização das Nações Unidas (ONU), mas, pela média das cidades sul-americanas, a proporção de um para 1,7 mil já seria positiva.
Naquelas seis cidades do Litoral Norte, porém, essa relação chega a um para três mil. “Só Paulista tem metade da população da região. Por suas características, pelas demandas, necessita de um batalhão só para ela. Há bairros inteiros, como o Janga, com 50 mil habitantes, que só têm uma viatura. São 17 veículos para seis municípios”, afirma.
A ideia é que, se o 17º BPM, que tem sede em Paulista, tiver suas responsabilidades reduzidas ao município, outro batalhão seja criado em uma das outras cinco cidades. A região tem demandas de segurança específicas, como o fato de sediar sete unidades prisionais e uma da Funase e de ter locais com carência de boas vias de acesso, como Araçoiaba. “Seria melhor ainda para os outros municípios. Hoje, se algo ocorre em Itamaracá, há uma necessidade de deslocamento muito grande, já que o batalhão fica em Paulista.
Por isso, a Prefeitura endossa, sim, a proposta de ter o 17º BPM só aqui e de que seja criado outro para o restante da região. Houve, inclusive, uma reunião com o governador sobre isso. Aguardamos um retorno quando houver a recomposição dos quadros da PM”, diz o secretário de Segurança Cidadã e Defesa Civil de Paulista, Manoel Alencar.
Outros municípios do Grande Recife já são contemplados por medidas semelhantes às que se pleiteia para Paulista. Olinda tem o 1º BPM cobrindo só seu território, e Jaboatão dos Guararapes passou a ter sua área dividida entre o 6º e o 25º BPMs no fim de 2016.
No caso de Paulista, a proposta já recebeu 12 mil assinaturas físicas e virtuais. No fim de agosto, o material será levado ao Governo do Estado.
Em nota, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que, em todo o Estado, os batalhões da PM “atuam de forma regionalizada” e destacou que, além do efetivo do 17º BPM, os seis municípios contam com apoio de policiais da Radiopatrulha e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Citou ainda as operações Rogal, Bar Legal e Giro Legal (apreensão de motocicletas irregulares, em parceria com a Guarda Municipal) como esforços feitos na região e ressaltou que o reforço dos batalhões “é uma das prioridades do plano estadual de segurança pública”, que prevê R$ 290 milhões em investimentos e a nomeação de 2,8 mil PMs, dos quais 1,5 mil começam a trabalhar em setembro, e 1,3 mil, no início de 2018.
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