Ano a ano, os números não sofrem redução significativa no Estado. Pelo contrário, há registros de grandes saltos, como em 2014 quando 1.221 pacientes foram diagnosticados. No ano passado, a recorrência da doença em Pernambuco foi a 1ª do Nordeste e 2ª no Brasil. Nos primeiros sete meses de 2017, o Estado já soma 343 casos suspeitos e 101 confirmados. As principais vítimas são os bebês menores de 1 ano, idade em que os quadros tendem a ser mais agressivos.
“A coqueluche é uma doença imunoprevenível. Temos vacina como medida de prevenção e controle. Contudo, entre as imunopreveníveis, ela é uma das que não se consegue um impacto tão grande com a vacina. Isso porque está se verificando agora, por meio de estudos, que a imunização é de aproximadamente cinco a seis anos da última dose tomada. Então, com o passar do tempo, a imunidade vai sendo perdida”, explicou a gerente de Prevenção de Doenças Imunopreveníveis da SES, Ana Antunes.
A gestora aponta que a descoberta atual desse “prazo de validade” para a proteção contra a doença tem provocado ciclos de ressurgimento da coqueluche. Segundo ela, outros fatores que também podem justificar esse acúmulo de doentes estão relacionados com a melhoria na notificação de casos e um possível novo comportamento da doença (como mutações no genoma da bactéria).
Em 2014, cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) apontaram alterações do código genético do bacilo circulante àquela época, mas negaram que as variações tornavam a vacina existente ineficiente.
Para o infectologista do Real Hospital Português, (RHP), Filipe Proshaka, a possibilidade de mutação é apenas uma hipótese. “Sempre que se tem um surto, se acha que houve uma modificação no agente e que a vacina não está sendo mais eficaz. Só que isso é comum para vírus, mas na coqueluche o agente é uma bactéria. É muito improvável”, avaliou.
O médico destacou ainda que as principais medidas de controle de surtos, por exemplo, continuam sendo campanhas e bloqueios vacinas. A importância e confiança no imunizante, inclusive, se traduziram possibilidade de uma dose extra para a população após os 40 anos de idade, mas não houve viabilidade de produção nacional até hoje.
Por outro lado, ficou instituída que - além das crianças de 0 a 4 anos de idade - as grávidas também seriam incluídas no calendário de imunização. “Se eu vacino a gestante, além de protegê-la da doença no período em que ela vai cuidar do bebê, ela também passa proteção para o bebê enquanto ele não é vacinado na rotina básica”, explicou Ana Antunes.
A gestora da SES fez um alerta para o papel dos adultos jovens na cadeia de transmissão da doença. Nesse público, que já perdeu a eficiência da vacina tomada na infância, a suscetibilidade ao bacilo volta, mas a enfermidade pode passar despercebida porque fica mais branda nessa faixa etária. É possível, inclusive, ficar sem diagnóstico e haver uma remissão natural ou acidental com o uso de antibióticos.
É nesse cenário que a subnotificação entre as pessoas mais velhas vira realidade. “Não é só criança que adoece. O adulto também. Enquanto elas têm a forma mais clássica, o adulto não, mas mesmo assim ele pode transmitir a coqueluche. Já há trabalhos que dizem serem os adultos quem trazem a enfermidade para a casa e quem passa para as crianças. Silenciosamente, a coqueluche vai permanecendo e se mantendo.” Não é por acaso que, a SES tem descoberto casos de adultos com o bacilo após investigação sobre o adoecimento de bebês.
Rotina
No calendário de imunização dos bebês consta doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche aos 2, 4 e 6 meses. Reforços devem acontecer aos 15 meses e até os 4 anos de idade. Para gestantes, as regras em 2017 mudaram.
Agora, uma dose deve ser administrada a cada gestação, a partir da vigésima semana (20ª) de gestação. Para aquelas grávidas que não tomaram a vacinação, pode ser feita no puerpério (até 45 dias após o parto) com o intuito de evitar que a mãe possa transmitir a coqueluche para o recém-nascido.
G1PE



