'Há culpa dos dois lados', diz Trump sobre violência em Charlottesville

terça-feira, agosto 15, 2017
O presidente americano Donald Trump afirmou nesta terça-feira (15) que "há culpa dos dois lados" na violência que ocorreu no último final de semana em Cahrlottesville, no estado da Virgínia.
"Foi um dia horrível. Havia um grupo de um lado que era ruim e um grupo do outro lado que também era muito violento. Ninguém quer dizer isso, mas estou dizendo agora", afirmou.

"Eu condenei neo-nazistas. Mas nem todas aquelas pessoas eram neo-nazistas, acredite", disse Trump em uma coletiva de imprensa na Trump Tower, em Nova York, para apresentar medidas de infraestrutura. "Aquelas pessoas também estavam lá para protestar a derrubada da estátua de Robert E. Lee", acrescentou. Em outro momento, disse que a imprensa tratou essas pessoas "absolutamente injustamente".

Quando consultado porque esperou até a segunda-feira para condenar explicitamente os grupos de ódio presentes em Charlottesville no fim de semana, Trump disse que quis ser cuidadoso para não dar uma "declaração apressada" sem o conhecimento de todos os fatos.

"George Washington era dono de escravos... Vamos retirar estátuas de George Washington? E de Thomas Jefferson?", disse Trump sobre os ex-presidentes. "Vocês estão mudando a história, estão mudando a cultura".

Confrontos

No sábado (12), Charlottesville foi palco de confrontos de integrantes da supremacia branca com grupos anti-extremistas. Um homem de 20 anos jogou o carro que dirigia contra um grupo que protestava contra os grupos racistas, matando uma mulher e deixando pelo menos 19 feridos.


VEJA FOTOS DO CONFRONTO

Nesta segunda, Trump classificou como “maus” e “repugnantes”, os neonazistas, os membros da Ku Klux Klan e os militantes da supremacia branca, que atacaram a manifestação. Sua declaração foi feita após o presidente ser criticado, tanto por democratas quanto pelos próprios republicanos, por não ter nomeado os grupos extremistas em sua declaração logo após os confrontos em Charlottesville.
No sábado, o republicano afirmou em sua conta oficial no Twitter: "Todos devemos estar unidos e condenar tudo o que representa o ódio. Não há lugar para esse tipo de violência na América. Vamos continuar unidos", declarou.

Na avaliação dos críticos, a mensagem divulgada no sábado deixou implícita uma condenação tanto dos manifestantes de extrema direita quanto dos anti-extremistas pelos violentos confrontos em Charlottesville, na Virgínia. Até mesmo membros do Partido Republicano estavam entre os críticos.
Retirada de estátuas

A retirada da estátua do general Robert E. Lee na cidade provocou a reação dos grupos de extrema-direita, que decidiram protestar no sábado.

O general Lee comandou as forças da Virgínia na Guerra Civil Americana (1861-1865), e chegou a general-em-chefe confederado. A Virgínia integrava os Estados Confederados -- a união de seis estados separatistas do Sul dos Estados Unidos, durante esse conflito.

Esses estados buscaram a independência para impedir a abolição da escravidão. Mesmo após a derrota definitiva no conflito, Lee se tornou um símbolo dos movimentos de extrema-direita norte-americanos, que ainda hoje o lembram como um herói.

Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de outro.

G1

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