"Foi um dia horrível. Havia um grupo de um lado que era ruim e um grupo do outro lado que também era muito violento. Ninguém quer dizer isso, mas estou dizendo agora", afirmou.
"Eu condenei neo-nazistas. Mas nem todas aquelas pessoas eram neo-nazistas, acredite", disse Trump em uma coletiva de imprensa na Trump Tower, em Nova York, para apresentar medidas de infraestrutura. "Aquelas pessoas também estavam lá para protestar a derrubada da estátua de Robert E. Lee", acrescentou. Em outro momento, disse que a imprensa tratou essas pessoas "absolutamente injustamente".
Quando consultado porque esperou até a segunda-feira para condenar explicitamente os grupos de ódio presentes em Charlottesville no fim de semana, Trump disse que quis ser cuidadoso para não dar uma "declaração apressada" sem o conhecimento de todos os fatos.
"George Washington era dono de escravos... Vamos retirar estátuas de George Washington? E de Thomas Jefferson?", disse Trump sobre os ex-presidentes. "Vocês estão mudando a história, estão mudando a cultura".
Confrontos
No sábado (12), Charlottesville foi palco de confrontos de integrantes da supremacia branca com grupos anti-extremistas. Um homem de 20 anos jogou o carro que dirigia contra um grupo que protestava contra os grupos racistas, matando uma mulher e deixando pelo menos 19 feridos.
VEJA FOTOS DO CONFRONTO
Nesta segunda, Trump classificou como “maus” e “repugnantes”, os neonazistas, os membros da Ku Klux Klan e os militantes da supremacia branca, que atacaram a manifestação. Sua declaração foi feita após o presidente ser criticado, tanto por democratas quanto pelos próprios republicanos, por não ter nomeado os grupos extremistas em sua declaração logo após os confrontos em Charlottesville.
No sábado, o republicano afirmou em sua conta oficial no Twitter: "Todos devemos estar unidos e condenar tudo o que representa o ódio. Não há lugar para esse tipo de violência na América. Vamos continuar unidos", declarou.
Na avaliação dos críticos, a mensagem divulgada no sábado deixou implícita uma condenação tanto dos manifestantes de extrema direita quanto dos anti-extremistas pelos violentos confrontos em Charlottesville, na Virgínia. Até mesmo membros do Partido Republicano estavam entre os críticos.
Retirada de estátuas
A retirada da estátua do general Robert E. Lee na cidade provocou a reação dos grupos de extrema-direita, que decidiram protestar no sábado.
O general Lee comandou as forças da Virgínia na Guerra Civil Americana (1861-1865), e chegou a general-em-chefe confederado. A Virgínia integrava os Estados Confederados -- a união de seis estados separatistas do Sul dos Estados Unidos, durante esse conflito.
Esses estados buscaram a independência para impedir a abolição da escravidão. Mesmo após a derrota definitiva no conflito, Lee se tornou um símbolo dos movimentos de extrema-direita norte-americanos, que ainda hoje o lembram como um herói.
Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de outro.
G1



