Seis vezes Givanildo: a marca de cada passagem no Santa

quinta-feira, julho 06, 2017
Mais identificado com o Santa do que qualquer outro treinador, o 'Rei do Acesso' tenta mais uma façanha no comando coral

Com uma carreira de jogador profissional construída, em boa parte, no Santa Cruz, Givanildo Oliveira irá tentar pela sexta vez ter sucesso no comando coral. Ou repetí-lo, visto que o 'Rei do Acesso' também já salvou a Cobra Coral de um rebaixamento, conquistou título estadual e subiu à primeira divisão treinando o Santa. As duas últimas passagens não foram tão marcantes, mas o currículo do professor Giva no Arruda guarda boas lembranças aos torcedores tricolores.

1989/1990

Foram exatos dez anos entre saída de Givanildo como jogador do Santa Cruz para o Fluminense em 1979 e o retorno ao tricolor pernambucano como treinador em 1989. Logo em sua primeira temporada no comando coral, o treinador passou o Campeonato Pernambucano inteiro na cola do Náutico, contra quem seria derrotado na final do torneio em uma terceira partida por 2x1. Pelo Brasileiro, começou a competição passando em segundo do seu grupo na primeira fase, mas caiu já na segunda diante do Treze-PB, deixando o torneio de maneira precoce.

Acabou saindo em 1990, temporada em que o Tricolor do Arruda conquistou o Estadual contra o Sport. Mas, no CSA, faturou o título do Campeonato Alagoano daquele ano.

1998/1999

Tricolor teve um bom ano, ratificado pelo acesso à Série A, porém Givanildo não participou do Brasileiro (Reprodução)

Após sair do América-MG, Givanildo encarou uma missão complicada no Santa Cruz pelo Brasileiro de 1998; evitar o rebaixamento à terceira divisão. Em nove rodadas da primeira fase, com apenas 13 pontos somados, o Santa Cruz entrou em campo na última rodada para enfrentar o Volta Redonda, no Arruda, sabendo que qualquer resultado diferente de uma vitória significaria a queda de divisão.

Em um jogo tenso, com direito aos visitantes a frente no placar em duas oportunidades, os atacantes que Giva colocou em campo decidiram a partida, evitando que uma campanha ruim tivesse um final trágico. No ano seguinte, iniciou o Campeonato Pernambucano, mas saiu e não participou do vice-campeonato pernambucano contra o Sport ou o acesso à Série A que foi ratificado em um empate com o Goiás, onde ninguém queria vencer.

2004/2005/2006

A terceira passagem de Givanildo Oliveira foi de longe a mais vitoriosa no clube, e está entre as maiores de sua carreira como técnico. Em 2004, a Cobra Coral viu o título estadual escapar no Arruda, mesmo tendo vencido nos Aflitos a primeira partida da decisão por 1x0. Em um jogo no qual tudo deu errado, o técnico Péricles Chamusca viu o troféu ir embora em um sonoro 3x0 naquele que foi o último título do Náutico até então, junto com ele foi o comando técnico do clube.

Pelo Brasileiro da Série B, já com Giva, que ia construindo a fama de conquistar acessos (tinha dois até aquele momento, com América-MG e Paysandu), o Santa conquistou vaga na segunda fase da Segundona, mas acabou como último do Grupo A e não conquistou o acesso à elite do futebol: as vagas ficaram com Brasiliense e Fortaleza. Hora de recomeçar o trabalho, e dessa vez, com Givanildo já desde o começo.

Investindo em nomes como Cléber, Carlinhos Bala, Rosembick e Reinaldo, o Santa Cruz montou um time imparável. A 'família coral' foi implacável, conquistando o Pernambucano de 2005 vencendo os dois turnos e dando início à Série B daquele ano revezando a liderança da competição com o Grêmio. O sucesso daquela equipe foi tão grande que os tricolores sobraram na primeira e segunda fase do torneio, liderando as duas.

O Santa chegou na fase decisiva precisando vencer a Portuguesa para garantir a vaga na Série A de 2006. Venceu, de virada, com dois gols de Reinaldo, mas o extra, que seria o troféu, acabou ficando com o Grêmio em um jogo inacreditável contra o Náutico que ficou conhecido como a Batalha dos Aflitos. O embalo do time de Giva durou até o Pernambucano de 2006, quando a equipe perdeu uma invencibilidade de 45 jogos no Arruda para o Sport, posteriormente viria a perder o troféu do Estadual também. Givanildo aceitou uma oferta do Atlético-PR e deixou o clube sem pagar multa, já que seu contrato previa a rescisão em caso de proposta de uma equipe de ponta da primeira divisão.

2007 e 2010

As ultimas duas passagens de Givanildo pelo Santa Cruz foram discretas. Apenas com passagem pelo Campeonato Pernambucano, o ano de 2007 não tem grandes episódios memoráveis e a saída ocorreu antes mesmo da Série B, no qual o tricolor acabou sendo rebaixado para a Série C. Em 2010, a frustração foi grande já que o recém-campeão estadual, Giva, queria tirar o Santa Cruz da Série D e parou em um adversário de baixo porte.

Além de ter se classificado à segunda fase em segundo do seu grupo, o Santa foi eliminado após vencer em casa por 4x3 o modesto Guarany de Sobral-CE. Foi a última campanha do treinador a frente da Cobra Coral.

2017

Givanildo retorna ao Santa Cruz para a sua sexta passagem treinando o clube (Chico Peixoto/LeiaJáImagens/Arquivo)

Givanildo chega em uma situação delicada. Eliminado precocemente no Pernambucano, e pelo rival na Copa do Nordeste, o Santa teve um bom começo na Série B, mas vem de uma sequência de quatro jogos sem vencer, o que trouxe o treinador de volta ao Arruda. A missão de Givanildo não é fácil, mas agora o comandante acumula cinco acessos à primeira divisão, o mais recente pelo América-MG, em 2015, além de ter batido na trave assumindo o Náutico na reta final de 2016. Para a temporada o recado já foi dado, o 'Rei do Acesso' quer os salários em dia e se diz confiante de que pode colocar mais uma equipe na primeira divisão.


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