Existe, nas entrelinhas, vontade política de resgatar na população nordestina o sentimento de saudade do bem-estar social proporcionado pelos governos do PT, "uma volta às raízes". A “inauguração popular” da Transposição do São Francisco no município de Monteiro, na Paraíba, em março, foi o termômetro do projeto do petista, que recorre a esse expediente de caravanas para divulgar sua mensagem em todo o País.
Já nessa época, o partido definiu que realizaria uma agenda pela região, pensando no projeto de Presidência da República em 2018, mas os planos se acirraram desde que Lula recebeu condenação do juiz Sérgio Moro na Lava Jato, esse mês.
A vinda do petista para o Nordeste também serviria para testar sua reputação. Em Pernambuco, também fica aberto o debate sobre o palanque do ex-presidente para o ano que vem, já que o PT-PE não decidiu se terá candidatura própria ou se apoiará seu antigo aliado, o senador Armando Monteiro (PTB), que vislumbra o governo do Estado desde 2014.
O diretório estadual está tensionado entre apostar num nome próprio, como a vereadora Marília Arraes (PT), que tenta se cacifar para a disputa e combater o seu ex-partido, o PSB, ou manter-se com Armando. Para Silvio Costa, aliado do senador, o melhor caminho seria criar uma frente de esquerda e oferecer um palanque consistente a Lula.
“Essa frente elege 10 deputados federais e 14 deputados estaduais em Pernambuco. Eu defendo essa tese com Armando para governador e Lula candidato a presidente”, aposta Silvio.
Na visão de Bruno Ribeiro, o sentimento do partido é de candidatura própria, mas a comunicação entre aliados está mantida. Sobre a agenda de Lula, o diretório está montando esse rol de sugestões para entregar ao ex-presidente na próxima segunda-feira.
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