No início do texto, o treinador lamenta que o Brasil "perdeu suas referências". Para explicar isso, ele menciona a quantidade de atletas "de segundo escalão da América do Sul" jogando nas principais equipes do futebol brasileiro. O comandante faz questão de ressaltar que respeitas esses jogadores, mas enxerga - no excesso de contingente - um problema. Que ele sugere que vem das dificuldades em formar talentos no país.
Outro ponto abordado por Luxa é a "literatura do futebol português". Segundo o treinador, no Brasil, houve uma adoção sem crítica desses conceitos - que, em sua opinião, "sempre existiram".
Algumas nomeclaturas, por exemplo, são criticadas por Luxemburgo. Ele lista alguns desses novos maneirismos e explica o que entende de cada um deles:
"Jogo apoiado" - ajuda ao homem da bola, sempre com triangulações; “marcação em linha alta” - marcação pressão no campo do adversário; “espaço entre as linhas” - time mal compactado, nas linhas de defesa, meio e ataque; “iniciação ofensiva” - saída de bola; “transição defensiva” - recomposição rápida para o nosso campo, primeiro que o adversário - esclarece.
Para ele, o exemplo a se seguir são países como Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha - cujos conceitos originais foram mantidos apesar da interferência externa.
No texto, o técnico do Sport também volta a defender um ponto que falou em entrevistas recentes. "O futebol não vai ser reinventado por ninguém. Já foi criado, rodado, e não há mais nada de novo taticamente". Segundo o comandante, "trouxeram expressões novas achando que isso é modernidade".
Outro aspecto criticado por Luxemburgo é a mudança de métodos de treinamento. Hoje em dia, o conceito dominante é o de "minijogos" e treinos em campo reduzido, com até três toques. De acordo com o treinador, essa metodologia "não usa a habilidade do jogador, de dominar, dar drible, sair de situações desconfortáveis" e traz prejuízos ao estilo brasileiro.
Então o que é moderno para Luxemburgo? No texto, ele afirma que são boa estrutura e novos profissionais. Ele elogia essa nova safra:
Temos analistas de desempenho, que não são treinadores, mas podem trabalhar bem com integrantes da comissão técnica os conceitos do jogo e fazer um mapeamento preciso para contratações; fisiologistas e fisioterapeutas cada vez mais bem paramentados e atualizados... Tudo isso tem espaço para podermos crescer - escreve.
Seleção Brasileira
Atual técnico do Sport, Luxemburgo comandou a seleção entre 1999 e 2000. É com essa autoridade que ele avalia o trabalho de Tite - a quem voltou a dirigir elogios. Luxa defende a permanência do atual treinador até a Copa do Mundo de 2022, mas demonstra preocupação com o futebol brasileiro a partir daí.
Me preocupa o que a próxima geração vai ter. Onde ela está? Como estão se formando? Estão jogando a que nível hoje? Não estamos maturando os de 18, 19 anos, na posição em que jogadores de 30 anos, e muitos de fora, ocupam espaço. Enfim, acho que existe uma série de coisas que preocupam - diz.
Instabilidade no cargo
Veterano, Luxemburgo tem, no currículo, muitas vitórias - mas também acumula demissões. Situação comum a todos os técnicos brasileiros. Para ele, como explica no artigo, essa ciranda precisa acabar. Para isso, ele cobra mais atitude de uma figura: o diretor executivo de futebol.
Eles são responsáveis pela gestão do departamento de futebol e pela análise do treinador. Portanto, não se pode responsabilizar unicamente o treinador. Nosso futebol não pode ficar à mercê de decisões emocionais, provocadas pela pressão da torcida e da imprensa. Os dirigentes amadores precisam entender que os executivos, profissionais responsáveis pelo dia a dia, são as pessoas que devem sustentar o trabalho, mesmo que o bom resultado demore a acontecer - argumenta.
Luxa lembra, porém, que o diretor executivo - para ter tal autonomia - precisa de respaldo para tomar decisões técnicas.
G1



