Iniciado às 6h desta quinta (20), o velório teve a presença de diversos fiéis e do governador de Pernambuco, Paulo Câmara, que decretou luto oficial de três dias pela morte do padre Edwaldo. O prefeito do Recife, Geraldo Julio; e a viúva do ex-governador Eduardo Campos, Renata Campos, também compareceram à cerimônia.
À tarde, uma missa celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, proporcionou momentos de emoção na despedida dos fiéis. Por volta das 17h, o caixão deixou a Paróquia de Casa Forte e foi levado por um caminhão do Corpo de Bombeiros, que levou o corpo do padre até o Cemitério de Santo Amaro, na área central do Recife.
Nem mesmo a chuva impediu que os amigos e fiéis acompanhassem o sepultamento do padre Edwaldo. "Trabalhei com ele por quase quatro anos e ele era uma pessoa de coração bom. Era muito querido por todos", afirmou o motorista Wellington Maciel.
Perfil
Nascido em Barra de Guabiraba, no Agreste pernambucano, José Edwaldo Gomes dedicou a vida à Igreja Católica. Ainda criança, mudou-se com a família para o município de Bonito, também no Agreste do estado. Por influência da mãe, passou a ajudar na celebração das missas, uma função conhecida como ‘coroinha’. Aos 13 anos, ingressou no Seminário de Olinda, onde estudou para ser padre. No seu último ano de preparação, foi para Paris, onde se especializou em catequese.
Em 1956, foi ordenado padre pelo bispo Dom Ricardo Vilela, na Igreja Basílica de Nossa Senhora do Carmo, no Recife. Também nesse ano, mas no dia 8 de dezembro, Padre Edwaldo celebrou sua primeira missa na matriz de Bonito. Durante a ditadura, foi um dos principais assessores de Dom Helder Camara, considerado pelos militares um inimigo do governo. Depois de trabalhar em seminários e igrejas, padre Edwaldo foi nomeado por Dom Helder, em 1970, para a Paróquia de Casa Forte, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus.
Além do trabalho religioso, padre Edwaldo gostava de ajudar os pobres e criou a Creche Beneficente Menino Jesus para acolher as crianças de mães que trabalham fora. Outra criação dele é a Casa da Criança Marcelo Asfora, que oferece reforço escolar e assistência médica e psicológica. Ficou conhecido por ações sociais desenvolvidas em comunidades da região, sendo a principal delas a realização da Festa da Vitória Régia.
Incluída no calendário de eventos da cidade, a iniciativa tem como objetivo arrecadar dinheiro para instituições que atendem crianças e jovens carentes. Nos 60 anos de vida como padre, recebeu diversas homenagens e teve a vida contada no livro ‘Um Padre Nosso’, escrito pela jornalista Vera Ferraz.
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