PL quer metade dos ônibus refrigerados em Pernambuco

segunda-feira, junho 26, 2017
Nos ônibus da Região Metropolitana (RMR), a climatização é uma novela antiga. O ar-condicionado esteve em alta nos anos 2000, como uma espécie de compensação à retirada do transporte por kombis e vans no Recife, mas sumiu da frota pouco tempo depois. Em 2013, foi uma das promessas de uma licitação da rede de transporte que sequer saiu do papel.

Agora, um novo capítulo se desenrola na Assembleia Legislativa do Estado (Alepe). O Projeto de Lei (PL) 1445/2017 quer estabelecer prazos para que o aparelho seja uma realidade em todos os três mil coletivos da RMR. A proposta é de que, a cada ano, 10% tenham o item. A matéria também se estende aos demais municípios do Estado, que terão que contar com 50% da frota climatizada.

Na justificativa, o deputado estadual Marcantônio Dourado afirma que “as temperaturas cada vez mais severas no interior dos veículos (...) tornaram as viagens no transporte público sem ar-condicionado cada vez mais sacrificantes”. Ele ressalta que o PL abrange tanto linhas urbanas como intermunicipais. A matéria, na verdade, propõe atualizar uma lei sancionada pelo então governador João Lyra Neto, em 2014, e que se referia somente às linhas de ônibus da RMR.

O texto da época determinava que os ônibus que fazem integração em terminais e os BRTs tivessem ar-condicionado de forma imediata. Nos demais, a adequação poderia ocorrer de forma gradual, mas o prazo não foi estabelecido, o que o novo projeto de lei quer corrigir.

Segundo o deputado, desde que a lei de 2014 foi sancionada, a população “espera gradualmente” a climatização da frota. “Passados mais de 36 meses, não há dúvidas de que o impacto no equilíbrio econômico e financeiro dos contratos já fora analisado”, avalia Marcantônio.

Licitação

Independentemente do Legislativo, a licitação das linhas da RMR prevê a climatização dos ônibus. O problema é que só dois dos sete lotes previstos estão em operação. São os referentes aos corredores Norte-Sul e Leste-Oeste, que têm mais de 100 BRTs rodando, todos com ar-condicionado, o que garantiu uma avaliação positiva de mais de 60% para o item conforto numa pesquisa encomendada pelo Governo de Pernambuco, em 2016. O contrato também prevê que as linhas do Sistema Estrutural Integrado (SEI) deverão contar com o aparelho, o que ainda caminha a passos lentos.

Já os lotes de 3 a 7 da licitação tiveram vencedores, mas a ordem de serviço nunca foi assinada. Como foi lançado quando o Brasil estava em outra realidade econômica, o processo, que é reavaliado há mais de um ano pela Procuradoria-Geral do Estado, pode sofrer alterações e até ser anulado devido aos valores astronômicos que previa. Em 15 anos, o Governo teria que remunerar as empresas concessionárias em um total de R$ 15 bilhões.

Mesmo sem a licitação, algumas empresas já têm colocado nas ruas veículos climatizados. A linha 166-TI Cajueiro Seco (Rua do Sol), da Vera Cruz, ganhou dez ônibus com ar-condicionado há alguns meses. “Queremos contribuir para a melhoria do serviço. Há um claro anseio da população por isso”, disse Aurino Caetano, superintendente da área comercial do grupo que detém a Vera Cruz, ao comentar a novidade. As linhas 185-TI Cabo, da São Judas Tadeu, e 645-TI Macaxeira/Av. Norte, da Pedrosa, também são exemplos das que dispõem do item na frota.

FolhaPE

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